Florianópolis (SC) – Na última quarta-feira (15), a Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) executou uma ofensiva que expôs um audacioso esquema de fraudes imobiliárias em Jurerê Internacional. O prejuízo soma R$ 12 milhões e envolve articuladores que, segundo as investigações, lavavam parte dos recursos no Ceará.
- Em resumo: terrenos de alto padrão foram vendidos com procurações falsas e assinaturas digitais clonadas; 10 suspeitos estão presos.
Como funcionava o golpe milionário
De acordo com a PCSC, o grupo acessava perfis do Gov.br dos verdadeiros proprietários, promovia alterações societárias e emitia procurações fraudulentas. Com os documentos falsos em mãos, registrava as escrituras em cartório sem que as vítimas percebessem. Parte do dinheiro seguia para contas de laranjas no Ceará, estratégia típica de lavagem de capitais mapeada pela Febraban.
Foram cumpridos 10 mandados de prisão temporária e 18 de busca e apreensão em sete cidades de cinco estados, mobilizando também o CIBERLAB do Ministério da Justiça.
“Os investigados agiam em diferentes frentes: uns captavam dados, outros faziam as escrituras e uma célula cearense distribuía os valores para dificultar o rastreamento”, detalhou a PCSC.
Por que você deve se preocupar
O uso indevido do Gov.br acende alerta nacional. Segundo relatório de 2023 da Febraban, tentativas de golpes digitais cresceram 165 % no Brasil, impulsionadas pelo avanço de serviços on-line e pela compra de dados vazados na dark web.
Especialistas lembram que adulterar escrituras com assinaturas eletrônicas é crime de estelionato eletrônico (art. 171, §2º-A do Código Penal) e pode render até 8 anos de prisão. Somadas a associação criminosa e à lavagem de dinheiro, as penas podem alcançar 21 anos, como já sinalizou o Ministério da Justiça para casos semelhantes.

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