Fortaleza/CE - A extensionista de cílios Assíria Macêdo, 29, decidiu desligar o próprio celular depois de perder duas casas da família e acumular R$ 50 mil em dívidas por apostas no chamado “Jogo do Tigrinho”. Sem renda fixa, ela, as filhas e os pais idosos agora vivem de favor, enquanto recebe cobranças diárias de credores.
- Em resumo: endividada, separada e sem bens, a cearense busca emprego e tratamento psicológico para superar o vício.
Gatilho do vício e efeito cascata nas finanças
O relato de 11 minutos publicado nas redes sociais viralizou, ultrapassando 200 mil visualizações e escancarando como plataformas de apostas transformaram lazer em dependência química. O Brasil terminou 2023 com 72,4 milhões de CPFs negativados, segundo dados da Serasa, cenário que especialistas ligam à popularização dos jogos online e fácil acesso a crédito via apps.
No caso de Assíria, a espiral de endividamento incluiu pedidos de empréstimos informais. Um dos credores, sem encontrar dinheiro, levou a televisão da família como forma de cobrança.
"Eu só queria pagar as minhas dívidas e trabalhar. Não posso nem ter acesso ao meu celular, pois está me destruindo, destruindo a minha mente", desabafou a jovem.
Rede de apoio e busca por tratamento
Após a repercussão, Assíria conseguiu acompanhamento psicológico gratuito — passo essencial, segundo a Organização Mundial da Saúde, para portadores de transtorno do jogo, condição que afeta de 1% a 6% da população mundial.
A jovem também procura emprego formal para renegociar os débitos. Nos termos da Resolução 4.549 do Banco Central, credores podem oferecer até 60 meses para quitação de dívidas de pessoa física, mas a negociação exige comprovação de renda, algo que Assíria ainda não possui.
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