FORTALEZA, CE - Três semanas após admitir que perdeu duas casas da família e contraiu dívida de R$ 50 mil em apostas conhecidas como “jogo do tigrinho”, a extensionista de cílios Assíria Macêdo, 29, descreve crises diárias de abstinência enquanto acompanha a internação da filha mais nova.
- Em resumo: Vítima do vício, Assíria compara a fissura por jogar ao consumo de drogas e alerta para o risco de “não perceber o fundo do poço”.
Entenda o que mudou após o vídeo viral
Longe do celular onde apostava, Assíria gravou novo depoimento no aparelho do ex-marido — relacionamento abalado pelas dívidas. Ela reconhece sintomas de ludopatia, mas ainda aguarda avaliação psiquiátrica. No relato, diz que “perdeu o domínio das decisões” e chegou a negligenciar rotinas básicas com as filhas.
Dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostram que casos de superendividamento ligados a jogos e aplicativos de apostas cresceram 19 % em 2023, reforçando a urgência de políticas de prevenção.
“Sinto muita vontade de jogar, como quem precisa do próximo cigarro. Quando se vê, já não há mais noção do buraco em que está”, desabafou Assíria.
Risco coletivo e onde buscar ajuda
Especialistas explicam que plataformas de aposta operam com reforços aleatórios — o mesmo mecanismo usado em cassinos físicos —, potencializando a dependência. A Organização Mundial da Saúde classifica o transtorno do jogo como problema de saúde desde 2019.
No Ceará, projetos de lei que discutem regulamentação do setor avançam na Assembleia, enquanto entidades como o Caps AD oferecem acompanhamento gratuito. Sem renda fixa após perder clientes, Assíria procura emprego para amortizar parcelas que somam quase R$ 3 mil mensais.
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