Caucaia/CE – A chuva de 224,8 mm registrada apenas em abril invadiu cerca de 150 casas da comunidade indígena Tapeba, deixando moradores sem móveis e obrigando famílias inteiras a buscar abrigo improvisado.
- Em resumo: cheia alcançou a cintura dos moradores e expôs crianças e idosos a animais peçonhentos.
Entenda a urgência
Na madrugada de segunda-feira (20), o volume d’água do Rio Ceará subiu repentinamente, surpreendendo quem dormia. Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia, o acumulado mensal já supera a média histórica da Região Metropolitana. Dados do IBGE mostram que Caucaia possui mais de 30 % da população vivendo em áreas suscetíveis a alagamentos, o que agrava o impacto social de cada evento climático.
Para pressionar o poder público, os Tapeba bloquearam a BR-222 horas depois da enchente e cobraram a retirada das famílias da zona de risco.
“Chega aqui na cintura da gente a água dentro de casa. Eu perdi tudo, as crianças ficam doentes, as cobras ficam andando”, relatou a dona de casa Antônia Lima.
Promessa atrasada e riscos futuros
O protocolo de reassentamento, assinado em 2016 entre Idace, Secretaria dos Povos Indígenas do Ceará e Funai, teve a demarcação física concluída, mas não avançou na construção das moradias. O Governo do Ceará marcou nova reunião com as lideranças para esta quarta-feira (22) a fim de destravar o projeto.
Enquanto o cronograma não sai do papel, a escola local serve de alojamento e há relatos de dificuldades para alimentação básica. Especialistas alertam que, com o pico da quadra chuvosa previsto para maio, novos transbordamentos podem ocorrer caso barreiras emergenciais não sejam instaladas.
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