Data center do TikTok no Ceará terá investimento bilionário
Data center do TikTok no Ceará terá investimento bilionário – O megacomplexo da ByteDance no Porto do Pecém contará com R$ 200 bilhões em aportes na próxima década, informam autoridades federais.
Previsto para entrar em operação em 2027, o empreendimento será o maior data center de cliente único do Brasil e ficará numa área de 68 hectares dentro da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Pecém.
Estrutura e cronograma do projeto
As empresas brasileiras Casa dos Ventos e Omnia construirão dois prédios principais capazes de entregar 200 MW de potência de TI, com capacidade total de 300 MW.
Por regra das ZPEs, toda a energia consumida deverá ser renovável. Para isso, está previsto um novo parque eólico e uma linha de transmissão de alta tensão.
O Conselho Nacional das ZPEs estima 3.800 postos de trabalho nas obras e 550 empregos diretos e indiretos durante a operação. Segundo dados do IBGE, o setor de serviços de informação já responde por 4,2 % do PIB cearense, porcentual que tende a crescer com a nova instalação.
Preocupações ambientais e diálogo com comunidades
Ambientalistas e o povo indígena Anacé questionam o licenciamento simplificado concedido pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace).
O Ministério Público Federal pediu perícia para avaliar se o empreendimento deveria passar por Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima). O laudo técnico deve ser divulgado em 10 de dezembro.
No centro das discussões está o consumo de água. A Omnia afirma adotar sistema de refrigeração em ciclo fechado, com demanda estimada em 30 m³ por dia — equivalente a 70 residências médias —, sendo apenas 10 % destinados ao resfriamento dos servidores.

Mesmo assim, lideranças locais pedem garantia de que a Lagoa do Cauípe não será afetada. “Queremos transparência e consulta prévia”, declarou o cacique Roberto Itaiçaba Anacé.
Por que o Ceará?
A localização aproxima o data center de rotas submarinas que ligam Brasil, Europa, África e América do Norte, reduzindo a latência para usuários internacionais.
Com 13 unidades em operação, o estado já ocupa o terceiro lugar em número de data centers no País, atrás de São Paulo (82) e Rio de Janeiro (28), segundo a Associação Brasileira de Data Centers (ABDC).
O novo complexo, dedicado à exportação de dados, poderá colocar o Ceará entre os principais hubs digitais do hemisfério sul.
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Crédito da imagem: Divulgação
