Fortaleza/CE – A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) prendeu, na noite de segunda-feira (20), um empresário de 37 anos assim que ele desembarcou no Aeroporto Internacional Pinto Martins. A Polícia Civil do Ceará (PCCE) afirma que o suspeito negociava com uma facção do Rio de Janeiro para dominar o serviço de internet em Caucaia, Região Metropolitana.
- Em resumo: Suspeito teria exclusividade nos bairros São Miguel e Parque das Nações desde 2025 graças ao acordo criminoso.
Como funcionava o suposto esquema
As investigações apontam que o empresário buscou “autorização” da facção para oferecer planos de banda larga onde outros provedores eram impedidos de atuar. A prática configura crime de monopolização forçada, previsto no art. 7º da Lei de Organização Criminosa (12.850/2013).
Equipes da Draco contaram com o apoio da Coordenadoria de Inteligência (Coin) e de policiais civis de Caucaia. Após a captura, o investigado foi levado a uma unidade da PCCE e permanece à disposição da Justiça.
“Segundo a polícia, o suspeito tentava, com o apoio da facção, monopolizar a oferta de internet na região.”
Contexto: crime organizado avança em serviços essenciais
O controle territorial de facções sobre utilidades como internet e gás tem se espalhado pelo país. Relatório do Atlas da Violência 2023 indica que ao menos 28% dos municípios nordestinos já registraram disputas semelhantes nos últimos cinco anos.
Especialistas ouvidos por órgãos de segurança explicam que o domínio sobre redes de telecomunicações garante à facção tanto receita quanto vantagem estratégica: facilita comunicação interna e mapeamento de rivais. No caso de Caucaia, a investigação apura se houve coação a moradores ou sabotagem de cabos de concorrentes.
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