LUANDA - Na última quarta-feira (27), durante seu primeiro discurso às autoridades angolanas, o papa Leão XIV alertou que a “depredação contínua dos recursos naturais da África alimenta crises locais e aprofunda a pobreza”, pedindo medidas conjuntas para proteger a população e o meio ambiente.
- Em resumo: Pontífice liga exploração de minérios ao aumento de conflitos e cobra transparência na gestão das riquezas.
Entenda a Cobrança do Pontífice
Falando diante de ministros e líderes civis em Luanda, Leão XIV afirmou que práticas predatórias em setores como petróleo, diamantes e cobalto impedem que a “prosperidade chegue a quem mais precisa”. Segundo dados do Banco Mundial, matérias-primas brutas representam quase metade das exportações africanas, mas o continente ainda concentra 60% das pessoas em situação de extrema pobreza global.
Para o papa, a falta de “controles éticos” no comércio de commodities favorece corrupção, deslocamentos forçados e violência armada — problemas que Angola tenta superar desde o fim da guerra civil em 2002.
“Enquanto os recursos partem, ficam cicatrizes ambientais e comunidades sem escolas, sem hospitais e sem futuro.” — Leão XIV, em Luanda
Contexto e Impacto Regional
Organizações como a Conferência Episcopal de Angola apontam que apenas 10% da receita petrolífera chega efetivamente a programas sociais. Já a Comissão Econômica da ONU para a África calcula que evasão fiscal de multinacionais do setor extrativo gere perdas anuais de US$ 88 bilhões para governos locais.
A fala do pontífice reforça o princípio da “responsabilidade socioambiental” previsto na Encíclica Laudato Si’ e pressiona tanto companhias estrangeiras quanto administrações africanas. Em Angola, o Ministério das Finanças anunciou, no mês passado, um novo sistema de rastreabilidade para diamantes — medida que especialistas veem como resposta inicial às críticas internacionais.
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