Recusou senha e levou 39 anos: condenação exemplar no CE

FORTALEZA/CE – Em 16 de maio, o Tribunal do Júri impôs 39 anos, 1 mês e 5 dias de prisão a Clenilson Braz Freitas, o “Lindo”, por executar Francisco Natan Uchoa Silva após a vítima se recusar a entregar a senha do celular. A sentença escancara a escalada da violência ligada a facções no Bairro Mondubim.

  • Em resumo: a negativa de uma senha virou sentença de morte; agora, o réu amargará quase quatro décadas na cadeia.

Como a recusa à senha terminou em execução

De acordo com a acusação, Clenilson e dois comparsas invadiram a casa onde Natan estava com a namorada e uma criança. Sob suspeita de ligação com um grupo rival, o trio manteve todos reféns e exigiu acesso ao telefone da vítima. A recusa desencadeou o sequestro e o fuzilamento a poucos metros do imóvel.

No julgamento, o réu foi enquadrado em homicídio qualificado, cárcere privado e participação em organização criminosa. Além da pena, deverá pagar R$ 40,5 mil de indenização à família.

“A violência se intensificou quando a vítima se recusou a fornecer a senha do próprio celular. Após a negativa, ele foi retirado da residência e executado com diversos disparos de arma de fogo.”

Facções e números que explicam o alerta

O Mondubim faz parte do “corredor” de disputas territoriais entre facções que já colocou Fortaleza entre as capitais mais letais do país. Segundo o Atlas da Violência 2023, o Ceará registrou taxa de 39,4 homicídios por 100 mil habitantes, índice 64 % superior à média nacional.

Especialistas ressaltam que o chamado “vapor” de informações pessoais — como senhas de celulares — virou moeda valiosa para o crime organizado, que cruza contatos, fotos e chats em busca de rivais. Desde o Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019), a participação em organização criminosa pode elevar a pena em até 2/3, fator que pesou na sentença de Clenilson.

Para famílias de baixa renda, o impacto financeiro é duplo: além do trauma, o valor de indenizações nem sempre é pago, já que muitos condenados são insolventes. Por isso, entidades de direitos humanos cobram fundos públicos para apoiar as vítimas.

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Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino

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