Fortaleza/CE – Dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) indicam que, na última quarta-feira (15/04/2026), 26 açudes do Ceará ultrapassaram a capacidade e começaram a sangrar, enquanto outros 37 reservatórios já operam acima de 70% do volume total. O fenômeno inclui o Açude Orós, segundo maior do estado, que voltou a transbordar após anos de seca severa.
- Em resumo: 8,66 bi m³ armazenados, o equivalente a 47,18% de toda a água reservada no Ceará.
Por que os reservatórios encheram tão rápido?
Especialistas associam o quadro a chuvas acima da média nos primeiros meses de 2026. Um levantamento do IBGE sobre regime pluviométrico mostra que a Região Nordeste registrou acumulados 28% superiores à média histórica no trimestre.
Além das precipitações, a execução de obras de interligação de bacias acelerou a recarga em açudes estratégicos, como Orós e Arneiroz II. O resultado imediato é alívio para 155 municípios que dependem desses mananciais para abastecimento e irrigação.
No total, o Ceará está com 8,66 bilhões de m³, equivalente a 47,18% de suas reservas.
Alívio hídrico, mas alerta permanece
Embora a maioria dos grandes reservatórios apresente situação confortável, 31 açudes continuam abaixo de 30% da capacidade. As bacias dos Sertões de Crateús (19,6%), Médio Jaguaribe (26,7%) e Banabuiú (28,5%) concentram o maior risco de colapso.
Para evitar desperdício, a Secretaria dos Recursos Hídricos estuda aumentar a vazão controlada e reforçar campanhas de uso racional. Entre 2012 e 2016, período da pior estiagem já registrada, o percentual médio do sistema caiu para 12% – cenário que ainda assombra comunidades rurais.

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