Salitre/CE – Entre 17 e 19 de abril, a comunidade quilombola Lagoa dos Crioulos virou palco de um debate que pode redefinir políticas para 84 territórios negros rurais do Ceará. Mais de 150 jovens se dividiram em nove grupos de trabalho para pactuar reivindicações sobre terra, universidade, renda e saúde mental, que serão encaminhadas ao Governo Estadual.
- Em resumo: Três dias de discussões resultaram em uma carta-proposta cobrando acesso à universidade e proteção dos territórios quilombolas.
Entenda por que o encontro virou pauta de Estado
Com o tema “Território, Identidade e Resistência”, o III Encontro Estadual de Jovens Quilombolas reuniu secretarias estaduais, Incra e lideranças da IBGE para ouvir diretamente quem vive nos 4.474 domicílios quilombolas mapeados no Ceará pelo Censo 2022.
Os participantes alternaram rodas de conversa com apresentações de Coco de Roda, reforçando a cultura como ferramenta política.
“Os jovens de todas as comunidades quilombolas do Ceará se encontraram para mostrar suas demandas e potencialidades”, destacou a secretária estadual da Igualdade Racial, Zelma Madeira.
Próximos passos e impacto nas políticas públicas
As conclusões serão protocoladas na Secretaria da Igualdade Racial (SEIR) ainda neste semestre, pressionando pela ampliação de bolsas de permanência universitária e pela titulação de terras coletivas até 2027.
Segundo o Atlas da Violência, comunidades quilombolas sofrem três vezes mais ameaças territoriais que o restante da zona rural brasileira, dado que reforça a urgência das propostas discutidas em Salitre.
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